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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

(Denúncia) banda Tradicional Disorder de Curitiba

DENÚNCIA 04 – Curitiba, Paraná retirada do blog https://elesnaopassarao.wordpress.com/

Olá, venho por meio essa carta aberta expor toda a violência física e psicológica que sofri por mais de 1 ano de namoro com o baixista da banda Traditional Disorder, conhecido como Paulista, o qual frequenta a cena Hardcore de Curitiba – PR.

Conheci o Paulista na faculdade no curso de sociologia e foi lá que iniciamos o namoro, no início nós conversávamos sobre política e principalmente feminismo, pois na época eu era uma pessoa bem ativa e tratava muito desse assunto. Ficamos na semana cultural da faculdade e na outra semana ele me pediu em namoro e assim eu iniciei o maior trauma da minha vida, o qual eu trato com terapia. Após uns 5 ou 6 meses de namoro ele começou a ser extremamente violento, possesivo, não deixava eu conversar com ninguém, tanto que muita gente se afastou de mim e eu me tornei uma pessoa solitária, a qual só ele existia na minha vida, conversava só com ele e saia só com ele, fiquei extremamente dependente. Eu o acompanhava em todos os shows e mesmo lá, só conversava somente com as namorada dos amigos dele, porque segundo ele qualquer cara que me dava oi queria ficar comigo e qualquer menina não gostava de mim, ele dizia que todas elas falavam mal de mim e que não eram confiáveis ou queriam ficar com ele (oh cara feio).

Nos shows eu tinha que ficar sobre a visão dele, pois se ele estivesse tocando e não me visse do palco, eu estava com outro cara e após o show terminar ele me batia, gritava, me chamava de vagabunda e tudo mais. Esse fato ocorreu em público várias vezes, inclusive na frente dos amigos dele, mas é apenas uma briga de casal, o cara empurrar a menina no chão e chuta-la, pois isso ele fez inúmeras vezes, inclusive quando chegávamos na casa dele, ali começava a cobrança, muitas e muitas vezes sai de madrugada da casa dele, correndo sozinha na rua para esperar amanhecer e pegar o meu ônibus. Os vizinhos são provas, tanto que até foi intimidado pelo proprietário da casa que aluga sobre os gritos e xingamento que acontecia todo final de semana, os quais incomodavam os vizinhos.

Eu o via todos os dias na faculdade, estudávamos na mesma sala, então sempre acabávamos juntos. Ele chorava, implorava perdão, dizia que não tinha ninguém na vida dele, que não tinha pai e que só eu podia o ajudar a melhorar.

No show que aconteceu logo após a morte do Chorão, a banda que hoje não existe mais, o qual ele era o baixista ‘’ Till Joey’’ foi chamada para tocar cover em homenagem, no espaço Cult em Curitiba. Foi um grande evento e eu como sempre fui de acompanhante. Como estava lotado, ele não conseguiu me ver do palco, então logo após o show acabar veio me cobrar perguntando aonde eu estava, e logo me empurrou nas escadas e jogou a minha bolsa longe, eu cai no chão, ele me chutou, eu levantei correndo e fui para rua, ele foi atrás e puxou meu cabelo, em seguida apareceu alguns amigos e amigas deles, dizendo para eu não ligar, porque o mesmo estava bêbado.

Outro momento foi em um estúdio de tatuagem que hoje não existe mais, era  no largo da ordem, o tatuador é amigo do Paulista, e o mesmo foi lá visitar e eu fui acompanha-lo. Era época de virada cultural então levamos vinho e cerveja para beber, mas como é de se imaginar, chegou em um momento da noite que o Paulista achou que eu estava dando em cima do seu amigo, e atacou uma cadeira em mim, e me empurrou muito forte que eu cai por cima de todas as coisas e veio para cima de mim, naquele momento pensei que ele iria me matar, porém o seu amigo entrou no meio e os dois começaram a brigar, a dar porrada e se chutar, eu levantei , desci as escadas correndo, e ele foi atrás, o amigo dele também, e começaram a se bater ali mesmo. Eu consegui abrir a porta e ir para rua, e o Paulista foi correndo atrás de mim, e me segurou pelo braço, eu estava chorando não conseguia falar, nesse momento a guarda municipal nos parou e eu só ouvi o Paulista dizer: ‘’ é uma briga de casal’’ , isso foi o que bastava para os guardas darem meia volta, devem ter pensando que éramos dois drogados tatuados. Após esse fato, ficamos umas semanas sem conversar e sim, depois voltamos.

Foi um namoro horrível, que destruiu minha auto estima, eu me sentia feia, sozinha e sem ninguém. Por inúmeras vezes ele me bateu, já jogou uma lata de cerveja nas minhas costas, gritou, disse coisas horríveis. E eu só aceitava, revidava muitas vezes também, mas nunca o suficiente para me libertar, eu achava que ninguém gostava de mim e que se ele ainda estava do meu lado era porque só ele gostava. Me tornei uma pessoa antipática e fechada durante o namoro. Ele já quebrou meu celular, chapinha de cabelo, secador e violão.

Até que passou 1 ano e a faculdade acabou, porém em janeiro eu descobri que estava grávida de 3 meses e me desesperei por completo, não contei para ninguém, apenas chorava. E vocês sabem o que ele fez? Terminou comigo, me deixou sozinha. Eu fiquei muitos dias trancada no quarto chorando e pensando como me matar. Enquanto ele estava fazendo shows por Curitiba, era aplaudido e ficava com outras garotas. Nesse tempo eu mandava muitos e-mails pedindo para ele ficar comigo, porque eu não tinha ninguém e nenhuma resposta era obtida. Até que uma vez eu fui na casa dele na segunda feira, no domingo ele tocou e super se divertiu, encontrei ele dormindo fedendo pinga e me revoltei, comecei a gritar, queria muito mata-lo, mas isso não aconteceu. Depois de horas gritando, chegamos em um senso comum e voltamos a namorar.

Em março eu tive um aborto espontâneo, e precisei fazer uma cirurgia as pressas, tive uma hemorragia bem forte e ali eu me fragilizei psicologicamente por completo.

Mesmo depois de tudo isso, ele continuou me tratando mal, bebia e me falava coisas horríveis, tenho apenas um print de uma conversa no Skype que eu copiei e colei no e-mail, enviei para ele mesmo, pois queria uma explicação sobre aquilo.



Não tenho muita coisa arquivada, pois houve um momento que ele apagou todos os meus registros salvos no computador. Aliás, ele mexia sempre no meu histórico. Recebi orientações da advogada antes de escrever a carta e estou segura.

Até que após um show do D.C.E ele gritou comigo, me chamou de vagabunda, cretina e rasgou o meu dinheiro para eu não ter como ir embora e me deixou na rua, porém uma pessoa, a qual hoje é o meu melhor amigo, viu parte da situação e resolveu me levar para um lugar seguro e anotou meu telefone e começou a me ligar para saber como eu estava e para sair com ele, nisso me apresentou o Roller Derby, uma liga feminina de patins, e comecei a ser amiga das meninas que treinavam comigo, além disso, esse meu amigo me apresentou várias meninas, as quais hoje são minhas amigas. Diante disso, eu estava me empoderando e cortando os laços com meu agressor, fato que o super incomodou, até mesmo quis me proibir de dar continuidade com minhas amizades, porém eu disse não e foi aí que eu terminei e nunca mais olhei na cara do mesmo.

Hoje posso dizer que estou bem, tenho amigxs novxs e retomei as velhas amizades também, um trabalho maravilhoso, pratico Roller Derby, e me amo principalmente, é claro que carrego comigo alguns traumas, mas estou me livrando disso todos os dias e terá um dia que estarei 100% bem.

Enfim, antes de escrever essa carta eu estava com vergonha, por ter que expor tudo isso e por vocês saberem que eu aceitei todas essa violência por um bom tempo, que não fui capaz de dizer basta logo na primeira vez, mas agora eu não penso isso, porque quem tem que ter vergonha é ele e não eu, o agressor é ele, e somente ele pode se envergonhar.

Agora estou pronta para tudo que pode acontecer depois dessa carta, estou pronta para todos os olhares, para todos os julgamentos, para todos aqueles que dirão que é mentira, para todos aqueles que vão rir, mas principalmente estou pronta para receber amor e carinho por todxs que estão me apoiando e virão a apoiar, estou pronta para todxs aquelxs que me incentivaram a escrever, estarei pronta para lutar por cada uma que assim como eu, se calou, porque não é fácil.

Também deixo um alerta, que se acontecer qualquer coisa ruim comigo foi por consequência do meu desabafo, e saibam que foi ele.

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