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sexta-feira, 27 de maio de 2016

t1nn1tuzzzz (Selo Malware)

-Metalli​(​ɔ​)​a (2016)
1.s/t (free) 09:55
(download)
A proposta intitulada ''Metalli(ɔ)a'' visa por meio de um trabalho realizado na lógica de apropriação e ressignificação artística estimular o debate sobre as licenças copyleft, liberdade criativa na era da internet e a autoria na contemporaneidade. 


A pesquisa realizada para a elaboração do projeto foi impulsionada pela -vexatória- guerra judicial ocorrida no ano 2000, onde as grandes corporações e alguns -poucos- artistas se viraram contra o programa Napster, em uma tentativa de barrar o compartilhamento de arquivos sonoros via internet com o intuito de defender seus interesses financeiros sobre os direito$ autorai$. 

O projeto se constrói com base no passado, e o subverte por meio da inserção de novas formas, sentidos e questões. Gerando diálogos/tensões com a própria natureza, contexto e a memória do que foi apropriado. Além do álbum, o trabalho se desdobra em um vídeo
Nesta gravação foram utilizados: 
-soulseek 
-95 músicas em MP3 
-software crackeado 

-N​.​R. [x​]​no [ ]yes (2016)
1.Lado A
2.Lado B
(download)

"No começo do século XX, foram realizados os primeiros testes com gravações magnética para fins de áudio. Um invento que transgrediu a experiência sonora, e abriu o caminho para que se chegassem até a fita cassete compacta.

A fita cassete tem um caráter revolucionário, pois possibilitou o armazenamento de sons de forma portátil, com baixo custo e durável. A sua popularização se deu nos anos 60, quando adentraram ao circuito comercial, e eram encontradas facilmente em qualquer mercado. Desta forma, possibilitou a ação de gravar e reproduzir áudio de maneira caseira.

Como qualquer outra mídia física, a fita cassete carrega características acústicas singulares em seu material, uma das mais significativas são os seus ruídos*. Estes dos quais, durante anos, a indústria buscou saídas nos avanços tecnológicos para tentar eliminá-los ou reduzi-los, seja com experimentos de novas camadas magnéticas, ou com cabeças de gravação e reprodução de melhor qualidade. Mas mesmo com todos os esforços, eles nunca foram extintos por completo.

Esta questão nos impulsionou a adquirir centenas de fitas de segunda mão, em "mercado de pulgas", para investigar/arquivar seus ruídos, falhas, e resíduos sonoros vindos de sua manipulação física (como por exemplo, apertar os botões, rebobinar, abrir e fechar caixas plásticas). Estas cassetes carregavam consigo uma identidade, pois as questões temporais e espaciais eclodiam ao escutá-las, nelas estavam presente o modo de conservação, a idade, o uso, as múltiplas gravações sobrepostas, o ambiente que foram expostas, e etc.

A partir desta coleta de particularidades, encaramos as fitas e os tape-decks, não apenas como objetos de armazenamento e reprodução de áudio, mas também, como uma própria fonte de som passível de ser ressignificada.

O resultado é o álbum ''N.R. [x]no [ ]yes'', que sugere reflexões sobre: a memória das fitas cassete, o aspecto social/político do descarte das mídias analógicas, a afetividade decorrente da relação íntima entre homem-máquina-resquícios, a ampliação de concepções estéticas sonoras, entre outras questões.

O projeto foi formatado em fita cassete reutilizada, com o intuito de acrescentar mais uma camada de desgaste, e assim, propiciar uma sonoridade única para cada cópia realizada.

*Conceitualmente, ruído é a definição dada para qualquer tipo de som que interfere e/ou impossibilita a audição do que se espera ouvir, é a camada sonora que sobra na transmissão entre o emissor e o ouvinte.

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